 Sexta-feira, Novembro 03, 2006
 Quarta-feira, Novembro 01, 2006
Eu não gosto muito dessa coisa de "você não pode perder", mas o convidado do qudro Residência do Recorte Cultural essa semana é João Moreira Salles.
Você não pode perder.
A maior vitória de Lula foi no Amazonas, onde teve 86% dos votos. O engraçado é que a maior derrota dele foi ali do lado, em Roraima, onde conseguiu módicos 28%. Não é curioso?
criticOzinho 4:44 AM
 Domingo, Outubro 29, 2006
Cada aluno de universidade federal custa à União 10.500 reais por ano.
Isso quer dizer que o governo já gastou mais de 60 mil reais comigo, até agora, e eu ainda nem sei quando vou sair da universidade...
Agora o que me intriga e tira o sono: algum dia na minha vida eu vou poder reclamar do valor dos impostos sem ser hipócrita?
criticOzinho 4:18 PM
 Terça-feira, Outubro 17, 2006
Insatisfeito(a) com a vida que leva?
Quando sua filha, Siting, completou um ano de idade, Sun Jing deixou de amamentar a menina e partiu, junto com o marido, Wang, em busca de emprego no nordeste da China. Agora, um ano depois, o casal retorna a Dongfa com os dois mil dólares que conseguiram juntar e que sustentarão Siting e os pais de Wang, que cuidam da menina, durante um ano.
A criança não reconhece os pais. Sun Jing e Wang aproveitam as duas semanas das férias anuais para tentarem se reaproximarem da cria, recorrendo a carinhos e biscoitos. Siting aprendeu a chamá-los de "mama" e "baba"; porém, quando eles embarcaram no ônibus para mais um ano de ausência, a pequena pareceu não se importar. "É duro suportar isso, mas não temos outro modo de dar um futuro à nossa filha", analisa Wang, cujo segundo nome (no Oriente o nome da família vem primeiro), "Tieren", significa "homem de ferro".
Após dezessete horas na estrada, o casal chega a Dalian, litoral da Manchúria, onde trabalham numa fábrica de beneficiamento de pescado. A jornada diária dura dez horas e os empregados ganham por produção. Quem é muito bom recebe 2,50 dólares por jornada. O jantar no final do turno é o único momento do dia em que Wang consegue falar com a esposa. Ela mora no alojamento da fábrica com amigas de sua cidade, enquanto ele divide com outros vinte homens dois cômodos nos fundos de uma sauna. Não há cama nos quartos. Para dormir eles se apertam em tábuas de madeira elevadas. O calor humano forçado ao menos ajuda esses homens a suportarem o frio de 25 graus negativos durante o inverno.
Na única folga mensal, Wang e alguns amigos perambulam pela cidade, divertindo-se olhando as vitrines das lojas de departamento. "Andamos tão malvestidos que os seguranças não nos deixam entrar".
Wang está observando uma partida de pôquer de seus colegas de quitinete quando um deles quer saber sobre sua filha, e pede para ver uma foto da menina. Fitando o chão cabisbaixo, o homem de ferro responde que ele e sua esposa não possuem um retrato de Siting. "Não trouxemos foto. Sabemos que toda vez que olhássemos para ela cairíamos no choro".
criticOzinho 2:51 AM
 Domingo, Outubro 15, 2006
Nestas eleições, dos 290 candidatos a governador só seis eram mulheres. Percentualmente, dá pouco mais de 2%. Praticamente uma mulher para cada 50 homens.
Dessas, quatro estão no segundo turno: Ieda Crusius (PSDB-RS), Denise Frossard (PPS-RJ), Roseana Sarney (PFL-MA) e Ana Júlia (PT-PA).
A quinta é a nossa Lourdes Sarmento.
A sexta eu não sei quem é nem que fim levou.
criticOzinho 3:11 AM
 Quinta-feira, Outubro 12, 2006
Há uns dois anos eu banquei o escritor de auto-ajuda e bolei sete conselhos para tornar o seu blog um campeão de audiência:
1. Não dispense os comentários. Interatividade é fundamental. Leitores de blogs gostam de ler e dar opinião.
2. Fotos e imagens são permitidas, mas sem exageros. Imagens demais fazem a página demorar a carregar. Internauta não gosta de perder tempo.
3. Evite firulas no template. Além de deixar o blog espalhafatoso, a página demora mais a carregar.
4. Enxugue os textos. Não encha lingüiça. Quase ninguém tem tempo para ler posts quilométricos.
5. Não deixe o conteúdo muito homogêneo. Varie a temática, as técnicas. Misture diarinho com ficção, por exemplo. Putaria costuma dar ibope.
6. Nunca passe mais de uma semana sem atualizar. Periodicidade irregular derruba qualquer blog.
7. Não use uma linguagem empolada, acadêmica. Blog não é monografia.
Em meados deste ano, a Época produziu uma matéria de capa sobre blogs, e deu as seguintes dicas para quem quer se aventurar na área:
1. Reaja rapidamente
Comentar notícias quentes e fatos relevantes do cotidiano gera muito tráfego
2. Facilite a leitura
Capriche no visual e no texto. Quanto mais atraentes forem, maiores as chances de você conquistar a audiência
3. Abuse dos links
Quanto mais sites você indicar, mais será indicado por eles
4. Fique visível
Ajude os mecanismos de busca a encontrar seu blog. Faça com que nome e endereço na web sejam iguais e classifique os posts por assunto
5. Publique sem parar
Nada mais frustrante que voltar a um blog e não encontrar nada novo. Um post por dia é o mínimo para quem quer chegar ao estrelato da blogosfera
Na mesma reportagem, a jornalista e blogueira Rosane Hermann divide os blogueiros em duas categorias. "Basicamente existem dois tipos de blogueiro: os produtores de conteúdo e os roteadores de conteúdo. Os primeiros produzem coisas inéditas. Os segundos buscam e indicam coisas que já estão na Internet."
Jorn Barger concebeu o termo "weblog" em 1997, definindo-o como uma página da Web onde um diarista (da Web) relata todas as outras páginas interessantes que encontra. O blog que eu conheço que mais chega perto dessa definição é o de Andrei, um genuíno roteador de conteúdo.
Em sua página, o "Robot Wisdom Weblog", Barger elenca cinco condições primordiais para que um blog possa ser considerado como tal:
1) Todo blog expressa a opinião de seu autor sobre um determinado tema ou sobre vários.
2) O conteúdo deve aparecer retrospectivamente (primeiro, os mais recentes).
3) Blog que faz jus ao nome tem muitos links externos, apontando para os logs (acessos) que seu autor gerou por aí e que, por sua vez, geraram, direta ou indiretamente, a motivação para que escrevesse e publicasse alguma coisa lá no seu blog.
4) Ninguém paga para acessar um blog.
5) Blog baseia-se em independência e compartilhamento e, por isso, é o futuro da comunicação.
criticOzinho 3:29 AM
 Sábado, Outubro 07, 2006
- Que ônibus pra demorar. Deixei minha filha de 10 meses sozinha em casa. A bichinha.
- O que o senhor tem?
- É um germe que dá uma coceira no pênis que eu não agüento. E só fica bom com esse remédio aqui.
- E o senhor mora sozinho com ela?
- A mãe viajou pra votar.
- E não tinha com quem deixar a menina?
- Não. Eu sou novo na rua.
- E por que não trouxe ela com o senhor?
- Ah, ela tava dormindo um sono tão gostoso... Tá danado, esse 511 não passa mais hoje não, é?
- 511? Não, depois de meia noite ele não passa mais não, senhor.
É cada coisa que se escuta em parada de ônibus.
criticOzinho 2:03 AM
 Quinta-feira, Outubro 05, 2006
E aconteceu. Lula, o homem que não estava lá, foi para o segundo turno. Bem feito. Foi uma lição não só contra a arrogância, o já-ganhou, mas o golpe também serve para o PT refletir sobre tudo o que fez de podre, inclusive na véspera da eleição, querendo comprar um suposto dossiê contra tucanos.
Lula disse que não foi ao debate na Globo porque todos os adversários iriam atacá-lo. Ora, e o que é que se faz quando se encontra com o atual presidente, que ainda por cima lidera as pesquisas, senão atacar? Quando não se tem teto de vidro é fácil ir aos debates, como na eleição passada. Agora a conversa é outra.
Foi um risco calculado. Lula sabia que iria perder votos por fugir do debate, mas nada que comprometesse a vitória no segundo turno, acreditava. A impressão que Lula me dá é de que a única coisa que ele gosta na vida de político é falar de improviso para o público. É vaidoso, adora viajar, mas não tem o menor saco para se dedicar a qualquer atividade que exija dedicação, esforço mental... trabalho. Por isso ele deixa a parte chata - burocrática - para os "companheiros" de sua confiança, enquanto bate perna por aí. Por isso sua campanha se resumiu a muitos comícios pelo Brasil, discurso na TV e nenhum confronto com seus adversários. Seria trabalhoso se preparar pra um debate. Pra quê isso, se já tava ganho? Fico imaginando Lula agora, coçando a cabeça, menos por medo de perder do que por ter que passar pela tediosa tarefa de se preparar pra enfrentar Alckmin tète a tète. E domingo já tem debate na Band.
Mas Lula tem chance de perder? Se não houver mais nenhum tiro no P(é)T, acho muito difícil. Alckmin praticamente teria que herdar todos os votos de Heloísa e Cristovam, ou então roubar alguns do petista. Na minha opinião é só Lula e o PT não fazerem mais nenhuma besteira que os tucanos vão ter que esperar mais quatro anos.
Agora a Paraíba. Não vai haver segundo turno porque David Lobão foi bem nas urnas. Isso é ridículo. Um por cento dos votos é uma votação irrisória para um terceiro colocado. Vai ter segundo turno porque foi uma disputa atipicamente apertada, com menos de 1% de diferença pró-Cássio.
O candidato do PSDB perdeu em João Pessoa, mas mesmo assim alcançou 40% do total. Já em Campina Cássio sapecou 65% a 31%, mesmo com o prefeito sendo do PMDB. Em Patos, outra cidade administrada pelo partido de Maranhão, Cássio também ganhou. Em Cajazeiras, idem.
E Zé se deu melhor nas cidades litorâneas. Na verdade, se Maranhão tivesse um mínimo de desenvoltura ao falar em público, especialmente nos debates, ganharia fácil, pegando carona na enorme rejeição a Cássio. Mas ele é de uma geração onde a mídia não decidia eleições, onde aparecer bem na fita não tinha importância. Por outro lado, a muita gente não impressiona a lábia de Cássio. Virá outra campanha, outro debate, e veremos se a Paraíba vai escolher o oligarca old school ou o cacique 2.0.
Vital Farias teve 100 mil votos para o senado. Ou seja, um em cada vinte paraibanos achou melhor não votar em um candidato envolvido em corrupção. Um espanto. Aliás, podemos dormir tranquilos: estamos muito bem representados em Brasília, com Cícero Lucena, Ronaldo Cunha Lima, Wilson Braga, Marcondes Gadelha e outros bastiões da honestidade.
criticOzinho 2:58 AM
 Terça-feira, Setembro 26, 2006
Quem quer picolé de chuchu
Numa parcela considerável dos municípios do nordeste a maior fonte de renda vem dos aposentados, que, em sua esmagadora maioria, só recebem um salário mínimo por mês. É bastante comum ver famílias inteiras sustentadas por essa módica quantia. O Bolsa Família, que não nasceu nesse governo mas foi nele que avançou, vem injetando algumas dezenas de reais na renda mensal de milhões de famílias. Esse parece ¿ e é ¿ pouco, mas foi o principal responsável por uma leve melhora na distribuição de renda nos últimos anos.
Por que Lula parece imbatível? O Brasil cresce bem abaixo da média dos países emergentes e toda semana aparece um escândalo novo. Mas nem assim o tucano Alckmin decola. Os adversários culpam o medo que o eleitor pobre teria de perder a ajuda do governo. Faz sentido. O eleitorado brasileiro é extremamente conservador. Não quer correr o risco de perder o pouco que tem. Esse eleitor que hoje tem medo de perder o Bolsa Família é o mesmo que preferiu confiar em Collor ou achou que Lula acabaria com o Real. Agora é o PSDB que sofre com ele.
Falamos do eleitor fiel a Lula. Mas e o eleitor de Alckmin? O eleitor de Alckmin não está na classe "E" nem na "A". No topo da pirâmide - e isso não sou eu quem diz, mas o ibope - Lula, Alckmin e Heloísa estão pau a pau. O tucano típico está na classe "C" que quer ser "B" e na "B" que não quer outra coisa na vida senão virar "A". Está em São Paulo, já que no Rio Alckmin só aparece em terceiro nas pesquisas. Quem vota em Alckmin gosta de dizer que vota em Alckmin pra que fique bem claro que ele não se mistura com os paraíbas miseráveis e ignorantes que se vendem ao PT por 50 reais. É o cara que votou em Serra em 2002 e agora diz: "Eu sempre soube que ia dar merda. Bem que a Regina Duarte avisou..."
criticOzinho 9:59 AM
 Segunda-feira, Setembro 11, 2006
Uma discussão que tem rolado com certa frequência entre nós, audiovisualeiros do amanhã, é se seria melhor ter uma programação local, que além de nos falar de perto, dá emprego, ou continuar assistindo só programas 'de fora' mas de qualidade melhor? O debate voltou à tona quando a TV Miramar passou a ocupar o canal 4, da Rede Brasil.
A Rede Brasil é a nossa rede pública de televisão, que congrega emissoras universitárias ou educativas de todo o país. É encabeçada pela TVE, do Rio, e TV Cultura, de São Paulo. Aqui na Paraíba o empresário João Gregório, dono de quatro emissoras de rádio e do Forrock, tomou de assalto um espaço que deveria deveria fazer por merecer ser chamado de canal educativo.
Em vez disso o que se vê é uma programação que não passa de uma extensão das atrações do rádio. O "Rede Verdade", ancorado por Giovani Meireles, chega ao ponto de ser transmitido simultaneamente no rádio e na TV, num sincretismo peculiar. Os outros programas também não fogem da fórmula "rádio na TV", com telespectadores falando por telefone com o apresentador, leituras de e-mails no ar entre outros artifícios de quem tem imaginação de menos e preguiça de sobra. Isso pra não dizer picaretagem e falta de vergonha na cara pra contratar gente competente e investir em qualidade. Os cenários, por exemplo, são horrorosos.
Em vários países a programação da TV é eminentemente local. Era assim no Brasil no tempo de Chatô, quando ele fundou uma emissora em cada cidade importante do país, cada uma com programação própria. Até Campina Grande tinha a sua (TV Borborema). Com a chegada da Globo esa orientação caducou. O modelo implantado por Roberto Marinho foi o das redes. Ou seja, uma única programação para todo o país, com uma pequena parcela destinada à produção das afiliadas. Esse esquema de "integração nacional" vinha a calhar para os militares, que podiam saber (e controlar) o que todos os brasileiros viam na televisão.
Já li que há projetos correndo no congresso para estabelecer uma cota mínima de atrações locais na programação das redes. Um projeto assim é difícil vingar porque vai contra os interesses de gente bem influente - não mais militares com medo de revoluções mas sim empresários que não querem arriscar.
Mas, digamos que aconteça. A princípio a regionalização é uma ótima idéia. No entanto a partir do momento em que se troca um "Mundo da Literatura" por Sales Dantas, ou se tira do ar a "Revista do Cinema Brasileiro" e "Arte com Sérgio Brito" pra levar ao ar programas pífios, não sei não. É revoltante ver os piores programas feitos na Paraíba serem exibidos num canal educativo. E há outras questões de âmbito ético. A TV Miramar veicula comerciais, além de divulgar os shows do Forrock à exaustão. Um dia desses deixaram de exibir o "Cadernos de Cinema" pra transmitir um show do Aviões do Forró...
Ou seja, na prática, a TV Miramar funciona como mais uma emissora com fins comerciais - e com mais e piores programas. Já temos uma TV Universitária. Por que ela fica restrita a quem tem TV a cabo enquanto a TV Miramar tem a concessão da Rede Brasil? Eu não conheço a legislação, mas essa emissora tem que sair do ar imediatamente. Chamem o ministério das comunicações, a Anatel, o Exu Tranca Rua. É absurdo que a concessão de um canal público caia nas mãos de um grileiro das comunicações.
criticOzinho 10:59 AM
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